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Não, o corpo não precisa suportar o peso de viver uma vida que não é a sua. 

  • Foto do escritor: Isadora Verly
    Isadora Verly
  • 14 de dez. de 2023
  • 3 min de leitura

Uma propaganda de cerveja enorme na banca de jornal me chamou, ela dizia algo do tipo: “ a vida é lá fora” com uma imagem de um pôr do sol nas montanhas. Depois desse dia essa propaganda começou a se comunicar comigo quase todos os dias e ainda convidou outras da mesma família para entrar na conversa. 


Chegamos a um ponto em que é preciso fazer propaganda para viver? Lá fora?


Não é interessante pensar em saber o que é lá fora?  Será que precisamos deixar o corpo em algum lugar e ir para as montanhas ver o pôr do sol, ou iremos abrir a porta de casa e automaticamente começar a viver? 


É exaustivo ter que viver, não é mesmo? Ter que acordar, ter que comer, ter que trabalhar, ter que contribuir com o mundo, ter que ter amigos, ter um relacionamento saudável, ter que se exercitar, ter que cuidar da saúde, ter que postar, ter que ser feliz, ter que, ter que, ter que, ter que viver, ter que viver lá fora. Até porque lá fora já tem um monte de gente vivendo a mesma vida automática e semelhança demais cansa. 


Os humanos estão sentenciados por eles mesmos. Ops, também sou humana usando do corpo computador para estar em diálogo com outros humanos através de outros aparelhos eletrônicos. Se não tivesse essa ferramenta como será que eu expressaria esse desejo palpitante de falar sobre esse assunto através da lente de meus olhos? E você? Como você faria para expressar um pensamento, compartilhar um momento?


E como lembrar que sou humana? 


É curioso e assustador esse momento da humanidade. Olhos cansados, ombros caídos, estresse, crises de ansiedade, corpo dolorido, tendinite, dedos com artrose no formato do celular, mão celular. O corpo humano está se adaptando aos aparelhos eletrônicos, e é preciso lembrar sempre que o corpo humano é mutável, ele se adapta aos ambientes, ele se acostuma com tudo. Mas o mais assustador mesmo é saber que o próprio ser humano constrói tudo aquilo que o destrói. Para quê? Para estar com uma imagem ‘apropriada’ no mundo lá fora, para fazer um checklist utópico que ele mesmo inventou, acreditou e colocou como meta. Uma vida corrida sem linha de chegada, sempre querendo mais e mais. O corpo aguenta? Esse corpo que você está vivendo agora, ele aguenta? É para ele aguentar? 


Não, o corpo não precisa suportar o peso de viver uma vida que não é a sua. 

Mas, como sei qual é a minha vida? 


A Vida não está lá fora, a vida não está em lugar nenhum, ela é. É esse corpo agora, assim como o corpo passado e o futuro, ela é constante, é uma vibração que você só sente se estiver presente em seu corpo, com consciência da importância da sua existência nesse planeta. A Vida é Viver! Viver junto com outras Vidas, humanos, bichos, plantas, águas… 


Mas, como sei qual é a minha vida? 

Pergunte para si mesma, essa pergunta ninguém pode responder por ninguém. Descubra o seu corpo, descubra se ele gosta mais de calor ou de frio, quais cores te geram quais emoções, quais sabores seu paladar gosta agora. Quais exercícios são bons para seu corpo. Reconheça o que é autêntico e o que é representação. Se inspire em outras Vidas, mas não copie outras Vidas. Cada um é um e juntes somos Seres Humanos Vivos. 


 
 
 

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